A Fonte da Longevidade
“Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”. Êxodo 20:12.
Introdução
O que um filho pode fazer para recompensar o amor de seu pai?
Há um tempo, um terrível terremoto devastou a Armênia. Em menos de 4 minutos, mais de 30 mil pessoas morreram. Após a tragédia, as pessoas começaram a chorar por seus mortos. No meio da destruição, um homem passou a andar em busca do que poderia ter sobrado de uma escola. Ele se lembrava claramente da promessa que havia feito a seu filho: “Não importa o que acontecer, vou estar sempre ao seu lado para ajudá-lo”.
Agora, o filho tinha sido soterrado pela fúria do terremoto. O que ele poderia fazer? Se você tem filhos, sabe o que um drama assim representa. O homem sabia que a sala onde seu filho estudava ficava na parte de trás do prédio escolar, à direita. Localizou o lugar e começou a cavar. As pessoas diziam para ele ir para casa, pois não adiantava. Até os bombeiros tentaram pará-lo. Mas ele dizia: “Em vez de reclamarem, por que não me ajudam?”
Em sua luta desesperada, o homem foi tirando entulho e mais entulho. Cavou durante 8 horas. Nada. Chegou a 12 horas. Ainda nada. Passaram-se então 24 horas, 36 horas, e ele continuava cavando. Fazia agora 38 horas. Ao tirar uma pedra, ele ouviu uma voz. Chamou: “Armand!” A voz respondeu: “Pai! Sou eu, pai!” Ao abraçar o fi lho, no meio da destruição, teve o prazer de ouvir: “Eu disse para os meus amigos que você viria, pois você me prometeu nunca me abandonar”. Outros 13 colegas, com o rosto cheio de pó, os olhos brilhando no meio das lágrimas, também estavam vivos. O amor do pai salvou o filho e os filhos de outros pais.
Como são poderosos os laços que unem pais e filhos, não? Muitos pais e mães dariam a vida para salvar os seus filhos.
Outros, talvez, pensariam duas vezes ao fazer isso. Mas, independente dos pais que tivemos e da forma como fomos criados, todos nós temos uma dívida para com eles. A questão é: Qual deve ser a atitude dos filhos para com os pais? O quinto mandamento define essa atitude como “honra”. Êxodo 20:12 diz: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na Terra que o Senhor, teu Deus, te dá”.
Honra aos pais
O que é honra? Segundo o dicionário Aurélio é “Conferir honra; dar crédito ou merecimento a alguém; distinguir com honrarias; dignificar, enobrecer, estimar, respeitar”. Quantos adjetivos! Honrar é colocar o outro em lugar de honra, ou seja, vai muito além de obedecer.
• “Mas e seu meu pai era cruel comigo?” - Você pode perguntar. Deus então diz: “Honre”.
• “E se minha mãe separou-se do meu pai devido a uma traição?” - Novamente Deus diz: “Honre”.
• “E se meu pai nunca me deu aquilo que eu queria?” - “Honre!”
O quinto mandamento não diz: “Honre apenas os pais fantásticos”. A verdade é que não existem pais perfeitos. Além disso, ninguém pode escolher os pais que gostariam de ter. Portanto, independentemente de quem eles sejam, o mandamento nos ordena obedecê-los, respeitá-los e amá-los. Isso podemos escolher! O apóstolo Paulo escreveu: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo” Efésios 6:1. Ele acrescenta: “Pois fazê-lo é grato diante do Senhor”. Colossenses 3:20.
Note que Paulo diz: “Obedecei a vossos pais no Senhor”. Devemos obedecer aos pais desde que isso não esteja interferindo a nossa obediência a Deus, que vem em primeiro lugar, pois “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens”. Atos 5:29
Agora, por que é importante obedecermos aos pais? Veja esse texto:
“Os pais tem direito ao amor e respeito em certo grau que a nenhuma pessoa é devido. O próprio Deus... ordenou que durante os primeiros anos da vida estejam os pais em lugar de Deus em relação a seus fi lhos. E aquele que rejeita a lícita autoridade de seus pais, rejeita a autoridade de Deus”. Patriarcas e Profetas, pág. 333.
O texto diz que os pais são, durante os primeiros anos de vida da criança, representantes de Deus. São eles quem irão ensinar aos filhos o caminho que devem seguir. Alguém disse certa vez: “Os filhos devem ver Deus revelado nos pais, para que depois vejam Deus como Pai”.
Esse conselho foi grandemente defendido por Salomão em seus escritos. Os primeiros nove capítulos do livro de Provérbios são verdadeiros conselhos de pai para fi lho: “Filho meu, ouve o ensino do teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque serão diadema de graça para a tua cabeça e colares, para o teu pescoço”. Provérbios 1:8-9//22:6.
Isso nos leva a uma outra conclusão: a maneira como nos sentimos em relação aos nossos pais (nossa atitude e pensamentos em relação a eles) moldará profundamente a forma como nos relacionamos com todas as autoridades, inclusive com a autoridade maior que é Deus.
O quinto mandamento, então, é um sólido alicerce para o bom êxito na escola, no trabalho, no casamento e na igreja.
A prática da honra
Como podemos honrar nossos pais na prática?
O Talmude diz que, por mais que uma pessoa honre seus pais, nunca é sufi ciente. Sempre há mais que podemos dizer e fazer por eles. De tempos em tempos, diga a seu pai e sua mãe que você é grato por tudo que eles fi zeram por você. Algumas pessoas que não estão acostumadas a expressar gratidão talvez se sintam pouco à vontade ao fazer isso. “Eles sabem que sou grato” – dizem, numa maneira de evitar aquilo que não gostam de fazer. Mas, quanto mais difícil a ação, mais notável será. Creio que a melhor maneira para honrar nossos pais não seja com as palavras, mas com os atos de obediência.
Conheci a história de um homem de oitenta anos que sempre elogiava o pai, dizendo que pessoa maravilhosa ele era.
- “Há quanto tempo ele faleceu?” perguntaram ao idoso.
- “Quase quarenta anos”, respondeu ele.
- “Mas você fala sobre seu pai como se ele tivesse morrido há pouco tempo!”
- “Isso é porque ele está sempre na minha mente. Sou imensamente grato por tudo que meu pai fez por mim. Jamais poderei agradecer-lhe o sufi ciente.”
Que exemplo para nós! Jamais o nosso agradecimento será sufi ciente. Mas seria bom fazermos isso enquanto temos a presença de nossos pais.
Muitos filhos dão flores a suas mães somente após a ausência delas. Parece trágico, mas é a verdade. Ellen White diz aos jovens:
“Os filhos que forem cristãos hão de preferir o amor e aprovação dos pais tementes a Deus a qualquer benefício... Uma das principais preocupações de sua vida será a maneira de os tornar felizes”. Mensagens aos Jovens, pág. 335.
Jesus honrou os seus pais e os tornou felizes enquanto esteve aqui na Terra. Lucas 2:51 diz: “E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração.” Desde a meninice, Jesus era obediente à sua mãe nos serviços domésticos e ao seu pai na carpintaria.
“Jesus é o nosso exemplo. Muitos há que se detém com interesse sobre o período de Seu ministério público, enquanto passam por alto os ensinos de Seus primeiros anos. É, porém, na vida doméstica que Ele é o modelo de todas as crianças e jovens.” O Desejado de Todas as Nações, pág. 51.
Honrar pai e mãe não possui prazo de validade. Mesmo quando nossos pais estiverem na velhice, devemos honrá-los. “Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe quando vier a envelhecer” Provérbios 23:22. Isso envolve o cuidado e apoio fi nanceiro, quando necessário. (1 Timóteo 5:3-4, 8).
Alguns fi lhos desprezam os pais e os julgam como pesados fardos para serem levados. Novamente, Jesus é o nosso exemplo nesse aspecto. Quando esteve na cruz, Ele preocupou-se com a Sua mãe. Ele disse a João: “Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.” João 19:27.
A promessa da honra
O quinto mandamento possui uma promessa a todos que o observarem. É a fonte da juventude, ou melhor, a fonte da longevidade! Paulo comentou: “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.” Efésios 6:2 e 3. Você não precisa tomar remédios caros para obter vida longa. Só precisa obedecer ao mandamento de Deus de amar seus pais e torná-los felizes.
Conheci a história comovente de um homem que observou o quinto mandamento e obteve a recompensa. Austríaco, médico psiquiatra, Viktor Frankl dirigiu por algum tempo o setor de Neurologia do Hospital Rothschild, na Áustria.
No início da década de 40, a fim de não enfrentar os horrores da segunda guerra mundial, decidiu ir para os Estados Unidos e continuar os seus estudos. Ao ir para a embaixada, pensou: “Como fugirei da guerra e deixarei meus pais para trás?
Certamente eles irão para os campos de concentração.” Ele mesmo conta que, quando chegou em casa naquele dia, encontrou o pai, em lágrimas: “Os nazistas atearam fogo na sinagoga”, disse-lhe, mostrando um pedaço de mármore que ele conseguira salvar. Na peça estava gravada, em dourado, uma única letra hebraica, justamente a letra inicial do quinto mandamento - “Honra teu pai e tua mãe”. Diante disso, Frankl telefonou para a Embaixada Americana e cancelou o visto. “Na realidade”, ele diz em sua autobiografia, “somente escutei o eco da voz de minha consciência”.
Como resultado de sua permanência, Frankl foi levado juntamente com a sua família para os campos de concentração nazistas. Ele ficou três anos em Auschwitz, a que ele chamou de “experiência da cruz”. Infelizmente, todos os seus familiares, inclusive a sua esposa grávida, morreram nos campos de concentração.
Ao terminar a guerra, Frankl descreveu a sua terrível experiência e a de outros prisioneiros submetidos a atrocidades indescritíveis, sob a ótica de um psicólogo. Publicado pela primeira vez em Viena, em 1946, o livro de pouco mais de cem páginas, e escrito em nove dias, trazia uma mensagem estimulante já a partir do título: “Diga sim à vida, de qualquer maneira”.
Em 2007, a obra já havia atingido a cifra de 12 milhões de exemplares vendidos, traduzido para 27 idiomas. Além disso, Viktor Frankl criou um método de psicoterapia, concluiu o doutorado em filosofi a, escreveu 32 livros, deu palestras no mundo inteiro e recebeu o título de Doutor Honoris Causa em 29 universidades de todo o mundo, entre elas, as federais de Brasília e do Rio Grande do Sul. Tudo isso porque decidiu honrar o quinto mandamento. Frankl faleceu em 1997, aos 92 anos.
Conclusão:
Viu como vale a pena observar o quinto mandamento? Percebeu como Deus abençoa aqueles que honram seus pais?
Talvez você que esteja lendo o finalzinho deste capitulo esteja balançando a cabeça e pensando: “Você não conhece o meu pai. Ele não merece minha honra”. Ou talvez você tenha ódio, indiferença, rancor, desprezo ou algum outro tipo de desafeto. Quem sabe ainda a coisa mais difícil do mundo para você é dar um abraço no seu pai ou dar uma flor para a sua mãe. Não sei.
Mas eu lhe faço algumas perguntas: Você já parou para pensar no que seria a sua vida sem eles? Você faz idéia do amor que eles têm para contigo? Já passou pela sua mente a quantidade de horas que eles gastaram ao corrigir seus erros quando era criança? Já pensou no valor investido em seu crescimento? Mas mesmo que eles não tenham feito nada disso, Deus diz: “Honre”.
Essa é a sua parte: Honrar. Sabe por quê? Porque ao honrá-los, você estará honrando a Deus. Portanto, seja um bom filho. Seja agradecido. Ore por eles. Respeite e ame a seus pais, pois existe uma bênção no final deste mandamento - uma “sobremesa” maravilhosa, sabor “promessa”, chamada LONGEVIDADE.
